Descobriram a
fórmula secreta. Marcação cerrada, contra-ataques velozes e sorte. O imbatível
Barcelona perdeu de 1 a 0 para o Chelsea na Inglaterra, 2 a 1 para o Real
Madrid no Camp Nou e empatou em 2 a 2 no jogo de volta contra “Os Blues”, sendo
desclassificado da Champions League.
É bom destacar
que não foram reveses casuais, como aqueles em que um time pequeno fica na
retranca e acha o gol da vitória num despretensioso chuveirinho, fazendo de
tudo para no máximo empatar ou, no mínimo, perder de pouco, sem jogar nada, só
dando chutão e colocando os onze jogadores dentro do gol.
Digo isso por
dois motivos: primeiro porque Real Madrid e Chelsea não são nem de longe times
pequenos. Tem dois dos melhores elencos no mundo e estão no centro do futebol
em seus países, sempre disputando e vencendo competições. Segundo, porque
jogaram para ganhar.
Alguns que
assitiram aos jogos devem estar pensando agora: Ora, quem jogou para ganhar foi
o Barcelona, sempre no ataque, 100% de posse de bola, acertando as traves
inglesas e espanholas. Os adversários jogaram acovardados em seus campos,
contando com a sorte e esperando o jogo acabar.
Afirmo novamente para deixar bem
claro: Real Madrid e Chelsea jogaram para ganhar.
Ok. Ninguém
joga para perder. Mas tem os que jogam para NÃO perder e os que jogam para
vencer.
O Real queria devolver a derrota do primeiro
turno no Santiago Bernabeu e, principalmente, afastar o rival da briga pelo
título espanhol. O Chelsea lutava, simplesmente, por uma classificação à final
da Champions. Para obterem êxito, a melhor solução era a vitória.
Para bater o
Barcelona, que joga com a posse de bola, no campo de ataque, abusa das tabelas
e infiltrações, além de contar com a habilidade de craques como Messi, Xavi e
Iniesta, só adotando uma estratégia diferente da normal. E foi o que fizeram.
Os dois times
tiveram a humildade de se descaracterizar quase que totalmente. Sabendo que
ficariam a maior parte do tempo sem a bola, atrasaram todos os homens para trás
da linha do meio de campo, inclusive “Cristianos Ronaldos” e “Drogbas”, e
trataram de marcar ostensivamente os barcelonistas. Os comandados de Pep
Guardiola tiveram o trabalho tão dificultado que chegaram a se utilizar de
chutões e cruzamentos na área em busca de um gol, o que há muito não era visto.
Quando
finalmente conseguiam ter a bola em seus pés, coube ao brasileiro do time
inglês, Ramires, e ao português do time espanhol, C. Ronaldo, usar a arma fatal
contra o time catalão: o conta-ataque em altíssima velocidade. Como o jogo acontecia em seus campos de defesa,
assim que a bola era roubada, havia espaços para lançá-la nas costas dos
defensores do Barça que perdiam na corrida para esses concorrentes de Usain
Bolt. Somando-se essa velocidade à precisão de Lampard e Ozil no passe e Drogba
na finalização, pelo menos algumas chances de gol seriam criadas. Sabendo que
as oportunidades não seriam muitas, tiveram que ser certeiros. E assim foram.
Apesar desse
esquema “infalível” para vencer o todo poderoso Barcelona, um fator foi muito
importante para saírem vitoriosos desses embates que entraram para a história:
a sorte. Mesmo com as fortes marcações, os descendentes de La Masía - a fábrica
de craques do clube - conseguiram furar
os bloqueios diversas vezes, porém acertando as traves, esbarrando nos
inspirados paredões, Petr Cech e Iker Casillas, ou escorregando em suas
próprias pernas. Pernas essas que tão pouco acostumadas a falhar, por um acaso
do destino, por nervosismo ou simplesmente azar, perderam gols, a Liga e a
Champions.
De qualquer
forma, essas derrotas serviram para mostrar a força do Barcelona e confirmá-lo
como o melhor time do planeta. Apenas times fortes individualmente e de extrema
obediência tática, definida por técnicos, como José Mourinho – repetindo 2010
com a Inter de Milão – e Roberto Di Matteo – brilhante na leitura do jogo,
ainda que interino – seriam capazes de derrotar esse time que continua a me
encantar com seu lindo futebol.